Na fase da paixão idealiza-se a outra pessoa como imagina viver um relacionamento. A idealização é um processo psíquico que aumenta excessivamente as qualidades do outro. É costume existir uma identificação próxima entre quem valoriza e quem é valorizado.

Durante a paixão há uma demência temporária com duração máxima de 12 a 24 meses e nesse período as pessoas ficam num estado de hipermotivação, estresse, obsessão e compulsão. A paixão é um estado hipermotivacional, onde há muita energia para dedicar à relação, além disso, nessa fase existem sinais de obsessão e compulsão, ideias evasivas da pessoa vem à cabeça de maneira incontrolável e quando o casal está junto nunca é tempo suficiente, querendo sempre mais e mais tempo para ficarem juntos. Geralmente, nesse momento, as pessoas adotam “desastrosas decisões”, pois o cérebro está alterado devido a uma inibição do córtex pré frontal.

No entanto, algumas vezes, quando a paixão acaba, a relação pode entrar num amor companheiro/amigo, que é um retorno dos níveis basais da maioria dos neuro hormônios e neurotransmissores que estavam enxurrando nosso corpo nessa mudança. Contudo, um desses neuro hormônios, chamado ocitocina, que é responsável pelo apego, conexão social do casal, permanece elevado. Isso demonstra que conforme o amor companheiro/amigo desenvolve-se gera uma relação de laços fortes entre o casal, além disso, a paixão é caracterizada, também, pelo aumento de um hormônio chamado cortisol, que é tipicamente ligado ao estresse. É muito comum sintomas de ansiedade durante a paixão, assim como ficar nervoso quando pensa na pessoa e, principalmente na presença dela. Quando a paixão acaba esse hormônio retorna aos níveis basais e se o relacionamento entra ao amor companheiro/amigo esses níveis de cortisol diminuem, ou seja, o estresse diminui em casais que vivem relacionamentos felizes, certamente relações de longo prazo, onde a paixão já acabou. Segundo Pedro Calabrez Furtado, pesquisador filiado ao Laboratório de Neurociências Clínicas (LiNC) da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), estudos comprovam que casais que vivem num relacionamento saudável têm uma saúde cardiovascular e mental melhor do que pessoas solteiras ou apaixonadas.

A paixão, num primeiro momento, é importante para aproximar duas pessoas, mas é preciso superar essa fase e ver o outro como um ser humano único, diferente e separado de nós.
Diferente do que muitos pensam, para uma relação amorosa funcionar não é necessário concordar com tudo, mas ter uma franca conversa. Quando tem algo que aborrece, ter um diálogo sincero é a maneira mais adequada. Muitas vezes sua parceria pode estar disposta a mudar em algum sentido, mas ela nem imagina o que esteja incomodando.
Quando tudo parecer não fazer mais sentido, busque lembrar o que uniu os dois, apreciar as qualidades e coisas boas, ambientes bons que visitaram, surpresas boas que fizeram. E assim por diante.

As mudanças que ocorrem no relacionamento, geralmente, não são esperadas ou consideradas por muitos casais. A partir disso acabamos vendo inúmeros rompimentos após a fase de paixão acabar, no entanto é exatamente o que pode possibilitar a durabilidade da relação. Brigas, crises e desavenças ocorrem e são normais, porém, muitas vezes, os casais desistem de lutar pela relação, sem ao menos tentar dialogar. Nos dias atuais tudo se tornou descartável, se não está bom joga-se fora. E isso se demonstra nas relações humanas similarmente.
Consequentemente, muitas pessoas tem adoecido psiquicamente em função de não conseguirem lidar ou estarem com dificuldade para esse tipo de situação, sendo importante buscar ajuda de um profissional que auxilie para que sua saúde mental não seja prejudicada.

*Os textos do site são informativos e não substituem atendimentos realizados por profissionais.
Autora: Andrielli Bittencourt (Psicóloga – CRP 07/20780)
Passo Fundo - RS